Os recortes a seguir são fragmentos da clínica que ilustram, de forma preservada e com nomes fictícios, diferentes modos de sofrimento e os caminhos que podem se construir em análise.
Carolina chegou relatando dores frequentes de enxaqueca. Sentia uma pressão constante para corresponder às expectativas, como se estivesse sempre aquém do que os outros esperavam.
No início, nomeava isso como “síndrome do impostor”.
Tinha a sensação de que precisava sustentar uma imagem que não lhe pertencia e, quanto mais tentava corresponder, mais essa sensação se intensificava. Esse movimento se repetia tanto no trabalho quanto nas relações familiares...
Quando Ana chegou à clínica, sentia-se perdida. A vida parecia caótica, atravessada por episódios de crise de pânico.
Cresceu sob uma educação muito rígida. Aprendeu que sua função era obedecer, corresponder às expectativas e não errar.
Durante muito tempo acreditou que, fazendo tudo “certo”, encontraria segurança e seria amada. Mas os resultados não vieram como esperava...
Joana chegou em crise. Chorava compulsivamente, não conseguia dormir, sentia o peito apertado e um profundo desânimo. Aos poucos foi se isolando cada vez mais.
Cresceu em um contexto de grande precariedade, tanto material quanto afetiva.
Ainda criança era explorada trabalhando em casas de família. Carregava consigo uma culpa persistente, a sensação de que, apesar de todos os esforços, nunca havia conseguido se tornar alguém digna do amor da mãe...